UMA BREVE ANÁLISE SOBRE A APLICAÇÃO DO PROTOCOLO TERAPÊUTICO DE CONTROLE DA HIPERTENSÃO ARTERIAL, NA POPULAÇÃO AFROBRASILEIRA, NORMATIZADO NO SUS.

INTRODUÇÃO
Antes de compreendermos a população negra brasileira, é preciso fazer um paralelo com seus ancestrais ainda em território africano. Neste continente, os negros tinham sua forma de subsistência articulada de forma comunitária e fora dos moldes capitalistas (CRUZ, 1993). O consumo de sal inexistia na dieta dessas populações, esse costume foi imposto após o contato com europeus colonizadores, sendo; então, capturados e exportados para diversos países onde foram submetidos aos trabalhos forçados. Os negros transportados para o Brasil, em tumbeiros, com espaços pequenos e uma enorme deficiência nutricional; sofreram diversas formas de violência que contribuiu para fragilizar a saúde dos que resistiram á travessia. E como resultado desses quase quatro séculos de tortura sob um regime escravocrata a saúde da população negra, em sua diáspora, se deteriorou por conta de jornadas excessivas de trabalho, má alimentação e condições de vida precárias, tais variáveis, fizeram eclodir doenças que não existiam em seu habitat natural, até chegarmos à marginalização, vida insalubre e exclusão social de seus descendentes nos dias atuais. Há poucos estudos sobre a saúde da população negra, mas dentro desses (CRUZ, 1993; BARRETO et al, 1993; CRUZ & LIMA, 1999; VARGA & CARDOSO, 2016; NADRUZ et al, 2017) podemos observar que a raça é um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares como a hipertensão arterial sistêmica (HAS). Com isso observou-se que a população negra possui um defeito hereditário na captação celular de sódio e cálcio que pode ser explicada pela presença do gene economizador de sódio, que faz o influxo de Na+ e o efluxo de Ca++ , tornando seus portadores mais propensos á ter HAS (BARRETO et al,1993) gerando também uma diferença na resposta de alguns fármacos, comprometendo a eficácia e eficiência do tratamento. Este trabalho tem como objetivo traçar esse paralelo entre o gene economizador de sódio e seu efeito sistêmico, inerente aos medicamentos disponibilizados pelo SUS, afim de compreender como essa característica genética, do povo negro, interfere farmacoterapeuticamente no tratamento da hipertensão em afro-brasileiros.

AUTORES:
Taiane Ferreira Martins
Plácido da Silva Júnior
Paulo Roberto de Azevedo Souza